IMG_4854_C2Muito diversificada e pouco conhecida, assim podemos definir a fauna da Serra do Japi. Por ser região de transição entre a Serra do Mar e o Planalto Paulista, a Serra do Japi acolhe representantes desses dois grandes ecossistemas. Unindo-se a leste à serra dos Cristais e a sul com o rio Tietê, sua vegetação nativa forma, também, um importante corredor para a fauna migratória.
Até o momento, foram registradas, na Serra do Japi, 29 espécies de anfíbios(6 famílias), 19 de répteis, 31 de mamíferos, pouco mais de 216 espécies de aves e 652 de borboletas, que caracterizam- na como uma importante reserva de biodiversidade.

A Serra do Japi representa uma dos últimos grandes fragmentos de floresta contínua do Estado de São Paulo e é coberta, em sua maioria, pelas florestas semidecíduas do Planalto Paulista. Esse tipo de vegetação faz parte do que foi definido, pelo Projeto de Lei no 285 de 1999, como Mata Atlântica, com base no Mapa de Vegetação do Brasil de 1993 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A floresta do Japi apresenta também elementos da flora da Floresta Atlântica das encostas da Serra do Mar, um outro tipo de vegetação que também faz parte da Mata Atlântica, o que contribui para sua enorme riqueza de espécies vegetais e caracteriza a área como uma zona ecotonal, ou seja, de transição entre dois tipos de ambiente. Essa riqueza florística, somada à diversidade de ambientes da Serra, permitem que esta abrigue uma fauna exuberante, com representantes dos principais grupos de vertebrados e invertebrados. Além disso, o Japi está ligado às matas da Serra da Mantiqueira e às matas do interior do Estado, por meio da Bacia do Tietê, constituindo um importante corredor para a fauna em geral e, em especial, para a fauna migratória.

Entre os vertebrados mais estudados na Serra do Japi, estão os anfíbios anuros e os répteis, seguidos dos mamíferos e das aves. Os trabalhos têm enfocado aspectos da sua biologia reprodutiva, seus hábitos alimentares e seus períodos de atividade ao longo do dia e do ano. Até o momento, os peixes ainda não foram estudados nessa localidade. Já entre os invertebrados, os insetos e as aranhas têm sido os objetos mais freqüentes dos estudos, e estes têm abordado principalmente aspectos da reprodução, da alimentação e do comportamento desses animais.

Atualmente, são conhecidas 24 espécies de anfíbios anuros (sapos, rãs e pererecas) pertencentes a cinco famílias para a Serra do Japi, um número não muito alto em termos de Mata Atlântica. Uma dessas espécies foi descrita em 1993 com base em indivíduos coletados na área. Parte dessa anurofauna é comum às Serras da Mantiqueira e do Mar, além de regiões adjacentes de planalto, e estima-se que essa lista possa ser acrescida em cerca de dez espécies, já que há alguns ambientes ainda inexplorados na Serra. Sua anurofauna é relativamente bem estudada, principalmente quanto à reprodução. Além disso, foi descrita uma nova estratégia reprodutiva para os hilídeos (pererecas), o que amplia o conhecimento científico sobre esse grupo taxonômico. A distribuição das espécies que vivem no chão da mata também foi estudada, verificando-se a influência da altitude e da distância em relação a corpos d’água sobre esses sapos.

Os répteis da Serra (serpentes, lagartos e cobras-cegas) foram estudados, principalmente, quanto ao período de atividade, aos hábitos alimentares e às táticas defensivas, mas faltam informações sobre sua biologia reprodutiva. Até o presente momento, foram registradas 13 espécies de serpentes pertencentes a duas famílias, cinco espécies de lagartos pertencentes a quatro famílias e uma espécie de anfisbena (cobra-cega), a maioria de ampla distribuição no Brasil. O encontro de espécies típicas de áreas abertas, como a cascavel, pode ser indicativo de alterações do ambiente devidas à ação antrópica.

Há 31 espécies de mamíferos pertencentes a oito ordens e 19 famílias registradas para a Serra do Japi. Com base na ocorrência de espécies em regiões próximas e no fato de que as áreas mais altas da Serra não foram amostradas, esse número é provavelmente inferior à verdadeira riqueza de mamíferos do local, que, estima-se, poderia quase dobrar com a realização de levantamentos mais detalhados. Além disso, com exceção dos morcegos, as ordens não foram extensamente estudados no local, e a ocorrência de espécies dessas ordens, bem como as informações sobre utilização do ambiente e horário de atividade para essas espécies basearam-se em observações casuais. Os trabalhos referentes aos morcegos abordaram aspectos do horário de atividade, da reprodução e dos hábitos alimentares das espécies. Estudos de médio e longo prazos sobre as populações de mamíferos da Serra seriam bons subsídios para o diagnóstico e para o monitoramento da área. A presença de predadores como a jaguatirica e, provavelmente, a suçuarana, além de espécies endêmicas do Sudeste brasileiro, faz do Japi uma importante área em termos conservacionistas.

Até o presente momento, há 206 espécies de aves registradas para a Serra do Japi, e estima-se que esse número possa chegar a 220. Parte dessas espécies é migratória, permanecendo no Japi apenas nos meses de verão. Parte dessas espécies são também encontradas na Floresta Atlântica da Serra do Mar, na Serra da Mantiqueira e nas matas semidecíduas do interior paulista, o que é mais um indicativo da condição ecotonal da área. O fato de apenas metade das espécies observadas serem típicas de florestas revela o elevado grau de perturbação do local. No entanto, há espécies de grande interesse científico no Japi pela falta de informações a seu respeito, pelo fato de estarem ameaçadas em outras regiões ou por constituírem bons indicadores de perturbação, o que reforça a necessidade de estudos mais aprofundados. As poucas informações existentes dizem respeito à reprodução e à dispersão de sementes realizada pelas espécies.

Finalmente, entre os invertebrados, os grupos mais estudados no Japi foram as borboletas e os besouros entre os insetos, e as aranhas entre os aracnídeos. Foram registradas 652 espécies de borboletas no Japi, e estima-se um total de mais de 800 espécies. Entre essas, há espécies nativas da Amazônia e até mesmo dos Andes, que, por vezes, são muito raras no interior do Estado. Os principais aspectos abordados nesses estudos foram o ciclo anual das espécies, seus hábitos alimentares, seu comportamento, assim como a utilização do ambiente. Além disso, foram feitos trabalhos enfocando as interações inseto-planta, um assunto que abre vastas possibilidades de pesquisa e que tem sido intensamente investigado por pesquisadores de todo o mundo.