Apesar de caminharmos lentamente para uma identidade global através de aproximações de conhecimentos, trocas culturais e conexões em rede, buscamos para nossos momentos de lazer ou tomada mais profunda de consciência, um local que seja diferenciado de nosso dia-a-dia, algo que nos faça ter mais intimidade com nosso próprio ser. Nesse confronto global/individual, buscamos lugares especiais como uma paisagem bonita, um topo de montanha, uma floresta, uma praia ou águas em formas diferentes de manifestação.

IMG_4413_C2Nós, de Jundiaí, procuramos tudo isso na Serra. Essa busca se torna gratificante quando conseguimos conectar, junto com a aventura da descoberta da paisagem e do nosso “eu” nela, a sensação de que não estamos sós.Acompanham-nos outras vidas que se manifestam fortes, às vezes ruidosas como um tatu, um coati, às vezes suaves como uma lagarta, uma borboleta, às vezes harmônica e sonoras como um tangará, uma maria-faceira, e visivelmente diversificadas em formas de tons verdes e marrons de folhas e troncos, incríveis tonalidades de flores, e também as que se manifestam espantosas como fungos, liquens e invisíveis como microorganismos… Nosso encontro com a biodiversidade implica necessariamente no respeito à diferenciação da paisagem.

Porém, mesmo querendo a diferenciação, levamos para a Serra, em contradição, nosso modo de vida: energia elétrica, asfalto, sons, velocidade, agressividade, construções, lixo, prepotência, ocupações irregulares, pressão urbana, pressão econômica, equalização social entre urbano e rural, igualdade de condições (humanas) … como se fôssemos os únicos seres viventes nesse espaço físico.

Há necessidade de mais sensibilidade, vontade, paixão, ideal, compaixão, visão de futuro humano para podermos respeitar aquilo que existe muito antes  de nos e, com o uso das novas tecnologias, conviver placidamente, frugalmente, delicadamente, com a Natureza.

Suzana Traldi