Em “Viagem Mineralógica na Província de São Paulo”, (José Bonifácio de Andrada e Silva e Martim Afonso Ribeiro de Andrada – 1821 ) lêem-se observações interessantes sobre a Serra do Japi. “Quanto mais nos entranhamos na cordilheira do Japi, mais os montes e os bosques nos pareciam elevar-se diante de nós, sobre as colinas e ao longo dos rios e ribeiros.A agricultura em todo este caminho é muito pouca, posto que o terreno seja mui próprio para arroz,mandioca,milho, cana-de-açúcar, algodão,etc…A criação do gado é maior do que nos arredores de São Paulo e as matas e campos abundam em caça, principalmente veados, pacas, tatus,antas, jacus,pombas,etc…”
A Serra do Japi, a princípio, teria conhecido roças de subsistência, quando Jundiaí, nos tempos coloniais, encontrava-se em situação de isolamento, vivendo num sistema de economia fechada, com produção exclusiva de consumo e os interesses mercantilistas da Coroa Portuguesa estavam distantes das terras paulistas.

O depoimento do General Bernardo José de Lorena, governador da Capitania de São Paulo até 1797, revela a transição entre o marasmo de um ciclo minerador agonizante e o ressurgimento da agricultura ainda incipiente em terras de São Paulo, destacando em depoimento ao seu sucessor, a lavoura canavieira na região de Itú, Porto Feliz, Piracicaba, Campinas e na Vila de Jundiaí.

CICLOS ECONÔMICOS
A Serra do Japi destacou-se como área de cultivo de cana de açúcar, como apontou Sainte Hilaire em suas viagens,“as terras não são tão favoráveis à cana quanto às de Campinas: no entanto, ela é cultivada com bons resultados no sopé da Serra do Japi, cadeia de montanhas que se estende ao sul da cidade.” Também segundo J. Seabra Ingles de Sousa por volta de 1825 a lavoura canavieira ostentava seu apogeu e muitos engenhos eram movidos pelas águas do ribeirão da Cachoeira, vindas do alto da Serra do Japi. Os mais antigos casarões das fazendas de Jundiaí foram edificados nesta época, eram de típica arquitetura lusitana, muitas vezes assobradados construidos vizinhos da “fábrica” (o engenho). Raras edificações ainda figuram como representantes da época açucareira e o casarão da fazenda Cachoeira hoje no Município de Cabreúva constitui um exemplo.

A fase canavieira vai sendo substituida pelo cultivo do café a partir de meados do século XIX. Até 1838 o café não tinha impotância em terras jundiaenses (1.276 arrobas de café/11.800 arrobas de açucar). Os bairros da Serra como: Morro, Santa Clara, Japi e Rio das Pedras conhecem a produção cafeeira em grandes propriedades (Fazendas Japi, Bonifácio, Ermida, Rio das Pedras, Cachoeira ou Guaxinduva etc..) como em pequenos sítios, a exemplo do Sítio do Tanque, contendo: “5.000 pés de café formados; um pastinho fechado a cerca de arame; casa de morada; uma casa… para negócio, com prateleira e balcão; duas tulhas; uma olaria com fornos e seus pertences; rancho,estrebaria e choqueiro, cobertos de telhas, paiol, galinheiro e uma carroça arreada”.

Ainda hoje se vê terreiros de secagem de café remanescentes daquela época, mas com as geadas,esses cafezais foram subindo morro concorrendo com pastos de criação de muares em prejuízo das matas nativas “Todas as antigas matas foram barbaramente destruidas com fogo e machado; e esta falta acabou em muitas partes com os engenhos. Se o governo não tomar enérgicas medidas contra aquela raiva de destruição, sem a qual não se sabe cultivar depressa acabarão todas as madeiras e lenhas os engenhos serão abandonados as fazendas se esterilizarão…”

.

Em seguida, com a colonização italiana no final do sec. XIX, em Jundiaí, iniciou-se o plantio da uva nos vales e encostas baixas da Serra. No sec. XX, durante a segunda guerra mundial, o país fica sem combustível. Introduz-se o gasôgenio para veículos e a Serra do Japi passa a ter sua mata nativa transformada em carvão vegetal e lenha para as ferrovias. Nos anos 60 e 70 a vitivinicultura na região inicia sua derrocada, sendo substituída por florestas plantadas, principalmente eucalipto, que até hoje é explorado.

Atualmente, a Serra é ocupada por agricultores, chácaras de moradia e lazer e atividades de turismo rural.